O ano era 1990 e eu acabara de entrar na uiversidade para estudar engenharia civil.
No ciclo básico, muita matemática, física e química. Aula nos três turnos. Trabalhar e estudar, nem pensar.
Uma das cadeiras ofertadas era de algoritmo computacional e como base, usaríamos o Fortran 77 para programar.
Antes, 1986, eu havia ganho um MSX HotBit HB-8000 que rodava programas em Q-Basic.
Desde essa época, eu tive contato com as mais diversas linguagens de programação e as arquiteturas lógicas ou mesmo físicas dos computadores pessoais.
Normalmente, esses primeiros contatos com computadores incluíam tela de fundo preto com letras verdes ou brancas. Era só isso. Fundo com letras. No máximo um cursor piscante para indicar onde o foco do programa estava apontando. Era isso.
Comunicação entre máquinas? Precisava gravar um flopdisk 5.25′, uma fita K-7 e fazer a leitura no outro ou digitar todo o programa no segundo computador para que a informação que existia em um passasse a existir no outro.
Andamos 35 anos nessa linha do tempo. Hoje, temos por comum a existência de servidores (antigamente, dizia-se mainframes) que podem ser acessados remotamente pelos mais diversos aparelhos para processar e entregar informações tais como o saldo de minha conta de banco, as fotos que bati nas últimas férias e etc…
A forma mais simples de se obter uma informação remota se faz hoje através de um site. Você acessa um navegador qualquer no seu aparelho (seja um computador, celular, tablet ou SmartTV) e recebe textos, imagens, vídeos pela internet. A tecnologia avançou muito nessas últimas décadas e não existe notícia de redução no acelerador da evolução. Os nossos carros têm formas de comunicação com servidores para nos orientarem sobre que rumo tomar em nosso deslocamentos.
A solicitação que mais recebo hoje é a criação de um aplicativo que possa ser instalado em celulares, tablet ou SmatTV’s. o que me aflige nessas solicitações é que o cliente solicitante muitas vezes não sabe a real necessidade de sua aplicação ser um aplicativo para celular quando é perfeitamente possível fazer o mesmo usando apenas o navegador existente em qualquer aparelho mais moderno.
Antigamente, ao programar um site, tínhamos que programar duas vezes. Uma para navegadores baseados no Internet Explorer e outra vez para navegadores baseados no Netscape. Tínhamos que programar um condicionante nas páginas que iriam para o visitante onde indicávamos que se ele usava Internet Explorer, ele iria navegar por um caminho de páginas ou por outro caminho caso usasse o NetScape.
Hoje os navegadores já são mais amigáveis e você não precisa ter essa preocupação como primordial.
Mas no caso de celulares, os sistemas operacionais mais difundidos têm padrões totalmente diferentes. Assim, usando iOS ou Android, é preciso criar um aplicativo no formato que o Android aceite publicar em sua loja de aplicativos e criar outro para que ele funcione no iOS.
Retrocedemos. Mas não só isso. Nem tudo que pode ser feito em um servidor para responder às solicitações de quem visita um site, pode ser feito em um aplicativo de celular. Por mais que se tenha processamento capaz e memória e espaço para armazenamento local – diga-se dentro do celular – muito do que se precisa processar deve ser enviado para o servidor, processado, devolvido para o celular que apresenta o resultado para o usuário.
Agora, vamos ao mais problemático. Um aplicativo para solicitar um carro. Um aplicativo para solicitar um sanduíche. Um aplicativo para acessar seu banco. Um aplicativo para ver seus emails. Um aplicativo para fazer suas compras de supermercado. Um aplicativo para abastecer seu carro. Eu estou falando de um aplicativo para cada situação. Acontece que não existe monopólio de cada um dos serviços. IFood e UberEats eram concorrentes e rodavam no meu celular. Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Santander para contas bancárias. Um aplicativo para Uber, outro para 99pop, outro para InDriver. Aí, as redes de supermercados criam seus aplicativos para vender e entregar suas compras e fazer cashback… Seu celular está ficando pequeno para instalar tudo isso? O meu pediu arrego. O da minha filha ainda rodava vários joguinhos que acabaram por queimar a tela devido ao grande uso de imagens velozes que aqueciam e desgatavam o aparelho.
Não, nossos celulares foram criados para nos auxiliar na ausência de um computador por perto. Nunca foram pensados para responder a todas as necessidades de um usuário mais tecnológico.
Mas todos os clientes querem ter um aplicativo para seu negócio. às vezes, o negócio do cliente não tem demanda suficiente para um aplicativo. Tudo que esse cliente precisa é um site com boa resposta para aparelhos com tela de diversos tamanhos.
Estou usando a seguinte estratégia: O que puder ser feito através de um navegador, será colocado no meu celular somente como um link para o site. O que não puder, ocupará meu celular. Fazendo assim, eu diminuo ao máximo os aplicativos instalados e facilito o trabalho do me celular.
Como desenvolvedor, sempre que posso faço os sites responsivos. Isso significa que o site pode ser acessado pelo computador com uma tela mais robusta e se adapta para ser acessível por tela menores como celulares e tablets.
Além de ficar com um celular mais enxuto, fico menos propenso ao desespero de perder o aparelho e ficar sem acesso a muitos dos serviços que acesso tanto no celular quanto no computador.
Já peguei celulares de amigos com mais de 120 aplicativos instalados. O meu não deve ter nem 30. E já me incomoda.