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O desafio do presente para que todos tenhamos futuro

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Algumas tecnologias nasceram e sumiram durante as últimas décadas. Quem ainda usa pager? Fax(FacSimile)? Telégrafo? Telegrama?
Outras vêem mantendo-se em uso apesar de mudarem bastante de foco com o tempo. Quem já ouviu uma rádio-novela, por exemplo? Ou um teleteatro? Pois é. Rádio e televisão ainda sobrevivem ao tempo mas precisaram sofrer diversas adaptações para continuarem relevantes. Já as revistas e jornais impressos arquejam e dão os últimos suspiros.
Minhas filhas não sabem que são Antonio Fagundes, Gória Perez, Cid Moreira… seus ídolos e famosos talvez não façam parte desse nosso universo saudosista. A efemeridade dos nossos tempos é um fato.
Algumas tecnologias nos são tão enraizadas que custamos a entender como o mundo existia sem o controle remoto da TV. Sim, quando eu era criança tínhamos televisores sem controles remotos, sem temporizadores. Haviam discos de vinil, fitas cassete tanto para música como para dados. Novamente minhas filhas não conheceram telefones fixos com discos. Difícil explicar que a gente ‘discava’ para outra pessoa. Que havia uma lista telefônica com nomes e endereços das pessoas e nessas listas ainda havia uma seção exclusiva para telefones de empresas divida por categorias e por localização. As tais páginas amarelas. E o ‘Guia 4 Rodas’ para viajarmos nas férias?
Grande parte do que deixou de existir mantém suas informações na palma das nossas mãos.
Esse aparelhinho (quase) sem botões que insiste em ficar sem bateria em algum momento do dia acumulou muitas das funcionalidades corriqueiras das décadas passadas.
O mais interessante é que boa parte dessas funcionalidades independem do principal motivo do nome dado a ele. Boa parte das funcionalidades do telefone não prescinde de uma linha telefônica. Linha telefônica essa que décadas atrás era preciso incluir como um bem nas declarações de imposto de renda. Hoje, você vai na esquina, compra um chip e já tem uma linha telefônica. E nem importa o número. O que importa basicamente é o seu pacote de dados.
Essa coisa de ligar diversas redes de comunicação heterogêneas em uma interligação descentralizada chamada internet possibilitou a redução do tamanho do planeta. Hoje eu visito as ruas de Nova York sem sair da minha sala. Pelo youtube eu consigo vê ao vivo como estão as principais cidades do mundo!! Posso acompanhar um motorista de aplicativo (não sei, por que não chamar pelo nome mais comum: Uber, assim como fazemos com lâminas de barbear: Gillette?) durante suas viagens noturnas no canal NaLata Driver. O mundo ficou pequeno. Tudo é pertinho. Tudo é muito fácil.
A última vez que adentrei uma agência bancária foi para pegar um novo cartão de débito porque o que estava comigo havia vencido. 4 anos usando o mesmo cartão na carteira. Sim, o novo tem 4 anos de validade e provavelmente vai vencer sem uso porque agora posso fazer um PIX para qualquer pessoa ou empresa usando um celular e um pacote de dados. Sem contar que para evitar fraudes, eu posso criar cartões virtuais para realizar pagamentos pela internet.
O 5G finalmente está chegando ao país depois de anos de brigas sobre qual tecnologia seria usada. Se a americana ou a chinesa. A velocidade da nova rede deve acelerar e aproximar ainda mais as pessoas e incutir no seu celular novas funcionalidades que anteriormente eram físicas e locais.
Mas não somente as pessoas. As coisas ficarão mais ‘inteligentes’. Com a velocidade da rede, os carros não precisarão tanto de mapeamentos para saberem por onde andarem. Poderão registrar seus movimentos enviando informações de sua localização para uma central onde as decisões poderão ser tomadas por computadores mais potentes e com mais processamentos e informações relevantes.
Não demora muito e os carros de aplicativos não precisarão mais dos motoristas. Como serão elétricos, precisarão somente ficar ao relento para se abastecerem. Ao se movimentarem também poderão abastecer suas baterias com a energia cinética acumulada nos seus pneus. Com auto-verificação, poderão saber que momento precisam de revisão e irem direto para a oficina.
A inteligência artificial não precisa ser inteligente o suficiente para substituir um ser humano, mas suficiente para levar uma pessoa ou encomenda de um lugar a outro sem atropelos e com respeito a todas as regras de trânsito.
Quando eu nasci o Brasil era o país do futuro. Chegamos ao futuro em vários aspectos da vida cotidiana. Não o Brasil. Isso de um país viver no futuro é coisa de quando eu era criança. A humanidade está no futuro. Muitos dos nossos problemas do cotidiano estão sendo resolvidos pela tecnologia. A humanidade está tecnológica.
As regras computacionais agora precisam ser humanizadas para agregar todos e não somente alguns. Essa universalidade computacional é o desafio do presente para que todos tenhamos futuro.